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Marmelada Santa Luzia

A história de um povo contada por caixinhas de madeira

Muito antes de Brasília existir, mas muito antes mesmo, ainda no século 18, várias vilas foram criada no interior de Goiás para a mineração de ouro, entre elas estava a Santa Luzia, atual Luziânia. Segundo as histórias passadas de geração em geração, com o declínio da atividade, o proprietário da Fazenda Mesquita, situada na região, abandonou o local, deixando as terras para escravas alforriadas. Nascia assim o Quilombo Mesquita.

Ali, essas mulheres formaram suas famílias, mantiveram a cultura negra e passaram adiante suas tradições. De acordo com historiadores, esses quilombolas foram determinantes na criação de Brasília, ajudando na construção de abrigos e refeitórios para os primeiros candangos e no abastecimento da cidade em construção com alimentos.

Localizado a 50 km da Capital Federal, o quilombo abriga atualmente mais de 700 famílias na área rural, mas mais de 400 vivem nas cidades do entorno. As principais atividades eram e continuam a ser a agricultura, a criação de gado e a produção de marmelada, essa sim um capítulo à parte dessa história.

O doce é uma marca do quilombo e é produzido desde o seu início. Como uma boa tradição, o modo de fazer é o mesmo de sempre e passado de pais para filhos.

O que se sabe é que é utilizado o Cydonia oblonga Mill, uma variação do marmelo português e muito comum na região de Luziânia. Como a fase de frutificação é entre janeiro e fevereiro, os produtores armazenam os marmelos pré-cozidos em latas para comercializar a Marmelada Santa Luzia o ano inteiro.

Toda a produção é artesanal, em pouca quantidade e apenas sob encomenda. O doce é feito em tachos de cobre e embalado em caixas de madeira (também feitas pelos produtores). Segundo eles, esse é o segredo para aumentar a durabilidade do produto. Dizem que o ex-presidente Juscelino Kubitschek era um grande apreciador dessa marmelada.

O doce é tão importante para essa comunidade (tanto por ser tradição quanto por representar uma das principais fontes de renda) que todo mês de janeiro é celebrada a Festa do Marmelo, atraindo milhares de pessoas.

O Quilombo Mesquita comemorou 272 anos de existência em maio de 2018, mas seu reconhecimento como tal só foi feito em 2006, quando a Fundação Cultural Palmares delimitou a região. Agora a luta é contra a diminuição do território. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou uma resolução que pode reduzir em até 80% a extensão original.

 

Ficha técnica

Marmelada de Santa Luzia

Onde encontrar: Sob encomenda

E-mail: paulobhagal@gmail.com

Telefones: 61 3500-4981 / 99934-1723

Onde é produzido: Quilombo Mesquita, Cidade Ocidental

Valor médio: Entre R$ 10 e R$ 18

Remodal