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Jatobá do Cerrado

Se tem uma fruta do Cerrado marcada pela versatilidade, ela é o Jatobá

Ele é estranho, tem a casca dura, parece uma fava ou um feijão grande e o cheiro talvez não seja dos mais agradáveis. Ao abrir, em vez de encontrar uma polpa de fruta suculenta, o que surge são caroços envolvidos por uma espécie de farinha. Sim, estamos falando do jatobá.

Nativo do Cerrado, ele é conhecido por ter várias espécies, entre elas jatobá do cerrado, jutaí, jatobá-capo, jatobá-de-casca-fina, jitaí e jutaicica, mas o mais comum na região é o jatobá do cerrado ou apenas jatobá, árvore de fruto duro, segundo o tupi-guarani.

Embora nasça espontaneamente em solo seco, ele costuma escolher aqueles que possuem drenagem. Sua árvore é grande, podendo chegar até 20 metros de altura, e o fruto é verde quando quando ainda não atingiu a maturidade e marrom quando está maduro. A polpa que recobre a sementes é farinácea e extremamente rica em nutrientes, como vitamina C, ferro, fósforo, potássio, magnésio e cálcio.

Diferente do cajuzinho e da mangaba, o jatobá é uma fruta extremamente resistente e de durabilidade alta. “Se guardar em lugar seguro, longe de insetos (existem muitos besouros que furam a casca para comer a polpa), embalado em saco de pano (precisa ser de pano!) dura até 1 ano. Ele não azeda”, recomenda Dona Ana, que há seis anos plantou um jatobazeiro e ainda não frutificou. “Demora de 12 a 15 anos para dar os frutos”, comenta.

A época do fruto é no segundo semestre do ano, nos meses de julho, agosto e setembro, e o ideal é “tratar” o jatobá imediatamente. “Assim que colher, é melhor já abrir, peneirar a farinha e torrar, é mais fácil de armazená-la do que o jatobá fechado, até porque ele tem um cheiro que pode não agradar muito”, explica a professora da UnB Janaína Diniz. Em nossas entrevistas, o cheiro do jatobá foi descrito como semelhante a “chulé” e “cachorro molhado”.

O jatobá também tem importância econômica para agroextrativistas e pequenos produtores, embora já seja encontrado em alguns supermercados (por valores bem mais altos do que os praticados nas feiras). Seu potencial de consumo é enorme, porém ainda pouco conhecido pelos moradores das cidades da região. Ele pode substituir em até 30% o uso de farinha de trigo em receitas de pães, tortas, bolos, biscoitos, macarrão, crepe ou pode ser consumido apenas com leite.

“Muitos chefs já vêm despertando para os produtos do Cerrado, mas eu acho que tudo precisa ser feito de forma consciente, é preciso levar em consideração a sazonalidade. O restaurante não pode ter um cardápio que vai servir o ano todo um prato com uma fruta da região. Muitas são de extrativismo e não tem como oferecer a logística de fornecimento”, alerta Janaína.

 

 


Ficha técnica Jatobá

Nomenclaturas: jatobá do cerrado, jutaí, jatobá-capo, jatobá-de-casca-fina, Jitaí e Jutaicica

Nome técnico: Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne.

Aspectos físicos: Fruta de cor marrom, de casca dura e com polpa farinácea

Origem e produção: Cerrado

Época: Entre julho e setembro

Onde comprar: Ceasa (galpão da agricultura familiar)  e supermercados

Valor médio: R$ 10 o quilo da fava e R$70 a R$ 80 o quilo da farinha

Remodal