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CARTA ABERTA

O Panela Candanga é um projeto que começou em 2016, com o Gil  e a Mara, onde a gente começou a olhar para a nossa terra.

A gente já fazia isso nos nossos restaurantes, mas a gente começou a olhar para a nossa terra e para o que estava acontecendo em Brasília. Começamos a ir para às feiras da cidade: Feira de Ceilândia, do Núcleo Bandeirante, Feira do Produtor, Ceasa, a Feira dos Pequenos Produtores do Ceasa e várias feiras para a gente tentar entender, com um olhar mais crítico, como estavam os produtos do Cerrado e a gastronomia dos pequenos produtores. Queríamos olhar com uma lupa para tentar entender melhor.

Além disso, buscamos conhecer as características do nosso povo, das pessoas que vieram do Nordeste, de Minas de São Paulo, do Sul, do Norte… Para ver como elas estavam trazendo suas culturas para Brasília e como essas culturas estavam sendo inseridas no dia a dia e transformando a gastronomia da cidade. Porque gastronomia é cultura, e a cultura é formada por todas as pessoas que vieram para montar a cidade.

Então a gente fez uma pesquisa e começamos, cada vez mais, a colocar isso na mesa dos nossos restaurantes, procuramos estar mais interessados nisso.

A gente foi para o “Mesa Tendências”, convidamos mais quatro chefs, fizemos a galinha do sol, tentando representar a gastronomia de Brasília: a galinha é um prato muito comum na região, a galinhada, e do sol para representar a carne de sol do Nordeste e do Norte de Minas que é muito presente.

No segundo momento, a gente foi um pouco além disso. Percebemos que era preciso olhar para além do quadrado. Porque todo o entorno de Brasília, as cidades da periferia e até um pouco mais longe que fazem parte do bioma Cerrado, de alguma forma, é influenciado por nós e nós os influenciamos.

Nesse momento, focamos mais no Cerrado. Fomos resgatar várias frutas, vários produtos  que um dia já foram usados e estão esquecidos ou que fazem parte apenas do dia a dia de pequenos grupos que usam aquilo no extrativismo. Também fomos aos pequenos produtores do entorno, como o Armando do queijo de cabra, Dona Ana do Cajuzinho…

Agora, a gente precisa olhar para o Cerrado com mais carinho, temos que mostrar para as pessoas para que elas precisam cuidar do Cerrado, colocar o Cerrado na mesa das pessoas, na cabeça das pessoas… Porque a gastronomia é aquilo que está à nossa volta. Quanto mais próximo, mais fresco e mais gostoso. E tem tantos sabores maravilhoso que são exóticos para as pessoas que moram no próprio Cerrado. Antes a maioria era de fora, o que explica isso, mas Brasília é uma cidade de 3 milhões de habitantes, onde agora a maioria da população já é nascida aqui.

Hoje eu vejo a Panela Candanga como um fortalecimento do Cerrado, da gastronomia e da cultura da região e, sobretudo, da preservação do Cerrado. Porque não é possível fazer gastronomia hoje sem estar junto ao pequeno produtor e garantindo o meio ambiente. Sem isso, a gente não tem nada.

 

Gil Guimarães

 

Remodal